Rio que Mora no Mar

Visto de fora, nenhum pedaço de mar foi tão cantado, comentado e fotografado  como o de Ipanema, a praia mais charmosa do Brasil. Visto de dentro,  porém,  ele é mistério, força, beleza e vida em diálogo pulsante e mutante com a cidade, sua paisagem e seus habitantes. É um outro Rio que mora no mar, como cantou o poeta.

 

Conhecido pelo registro  de artistas em exposições de artes visuais do Rio,  o misto de fotógrafo e ser aquático Odir Almeida tem se dedicado, com disciplina e método todos próprios, a inverter o ponto de vista para  captar  o imensurável, o imprevisível, o ângulo sem forma, em movimento constante do mar do Rio, que ruge, acaricia e avança sobre a cidade, sua paisagem e seus humanos.

 Para ele, nenhum distanciamento é possível. Troca de pele e de colete, onde embala cuidadosamente câmera e lentes, e parte para dentro do seu objeto de desejo. A partir do Arpoador, a estrela do mar de Odir, as imagens nos levam para outros mares do Rio de Janeiro, sempre mirando de dentro. Prédios gigantes parecem peças de brinquedo. Montanhas,  ao contrario, dialogam em beleza, harmonia e pujança. Garotos cariocas viram deuses morenos. O resto é mar.

 

 É o resultado desse encontro que  Odir ( cujo nome é quase um palíndromo) e  sua fotografia preto e branco visceralmente marítima trazem ao Jardim Botânico, para dialogar com todas as outras expressões que  mexem o caldeirão multicultural do Festival Internacional de Intercambio de Linguagens.

Mais que uma exposição, este  é um convite à ressignificação do olhar  e ao mergulho nesse mar, que mora no Rio.

 

 Maria Arlete Gonçalves

Seen from the outside, no stretch of the ocean has been more sung about, more commented upon, and
more photographed than Ipanema Beach, the most charming beach of Brazil..


Ipanema beach is also well known for being  so frequently portrayed in art exhibitions about Rio. 

 

But  ODIR ALMEIDA, HALF PHOTOGRAPHER HALF AQUATIC BEING  has dedicated himself , with

meticulous discipline , to a vision of this beach that is
all his own. 

 

From the inside , Odir reverts the point of view by capturing the impenetrable, the immeasurable. the formless angles, the constant movement of the sea   that roars, caresses, that ebbs and flows by the city, with its exuberant scenery and exotic human beings.

In order to do this, there can not be any

distance between photographer and the subject of  his
focus. Odir morphs ,  and using a vest that protects
carefully wrapped cameras and lenses, he  enters the
water at ARpoador, the rocky  starting point of Ipanema
beach.

 

Everything else is the ocean.

 

And there, from within the ocean, star of the sea  Odir  captures images that take us to other seas of Rio de Janeiro.
 

Gigantic buildings now appear to be toy blocks. Mountains dialogue  in harmony  and vitality with the waves'  beauty . Carioca youth appear to be  brown skinned gods.

These results are what  Odir  ( a name that is practically a palindrome) and his black and white visceral maritime photography brings to the Jardim Botanico.
It is a dialogue with all the other expressions in this multicultural caldron that is the International Festival Of Linguistic Interchange.

More than just just one more 

exhibit, , this is an invitation to resign  ones eye
and dive deep into this ocean that surrounds us .